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Um crédito especial.
Uma homenagem merecida.
O tempo rola seu filme. Atores entram e saem de cena. O roteiro é pleno de imprevistos, como nos filmes de Fellini. Eis o cinema: uma tela clara, um cone de luz, um espaço retangular e as vidas contando suas paixões e tormentos.
A arte cinematográfica abarca personagens que não são astros nem estrelas, mas que, circunscritos a um tempo e a um espaço, lhe são essenciais. Conheci um desses personagens: era calmo, movia-se em câmera lenta, e por onde passava conquistava as pessoas. Chamava-se Péricles Gomide.
Seus talentos eram guardados com as sete chaves do silêncio. Movimentava-se no intrincado cenário da informática qual um Fred Astaire dançando com Cyd Charisse. De suas mãos brotava, qual cogumelos depois da chuva, capas de livros, catálogos e peças gráficas surpreendentes.
Era um artista. Em termos pictóricos, um surrealista. Tenho em minha casa uma mulher de esplêndida nudez, cujo rosto é um caramujo.
Sua arte acompanhou o Festival de Gramado por muitos anos. Subia os degraus da serra gaúcha levando peças publicitárias que se tornaram convincentes convites à memória do nosso Festival de Cinema. Mas havia mais, havia o artista que ganhava a amizade e a admiração das pessoas.
Para ser seu amigo, não precisava comprar ingresso, nem reservar cadeira numerada. Ele não transitava por tapetes rubros. Bastava apenas estar ao seu lado e realizar um intercâmbio pausado de ideias, observações, críticas, rir um pouco da vida, comentar a transitoriedade de tudo, louvar as pequenas coisas, pois é delas que se faz o cotidiano em sua efêmera graça.
Durante três décadas fui seu parceiro no mundo dos livros e da publicidade. Gomide tinha qualquer coisa de felino. A cada encontro, aproximava-se tranquilo. De repente, sumia. E era dele o milagre de fazer com que sua ausência em nada diminuísse a afeição conquistada.
Para todos nós – e isso se percebeu no comovido comparecimento do pessoal diretivo do Festival de Gramado no dia 23 de abril, data de sua partida –, seu adeus não teve aquele inefável the end. Foi como se o sistema de energia de uma grande sala queimasse seus fuzis ou coisa que o valha.
De repente, dormia. De repente partiu.
O filme de sua passagem na Terra terminava. No entanto, para quem o conheceu intensamente, por muito e muito e muito tempo será lembrado, pois “o mundo se fez mais belo quando por ele passou seu coração”.
E quando a tristeza parece surgir, Péricles Gomide ressurge em nossa memória, com aquele jeito sereno que era todo seu, de maneira absolutamente inesperada, para nos mostrar que a vida segue, eternizada pela poesia de sua amizade.
Luiz Coronel
Diretor Institucional
Agência Matriz
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Editorial
Mais uma edição do Festival de Cinema se foi e, com ele, meu querido amigo, Gomide.
Mari Luce Crim Caetano
Krim Bureau Brasil
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HOMENAGEM ESPECIAl

Um crédito especial.
Uma homenagem merecida.
por LUIZ CORONEL
TRABALHO EM DESTAQUE

Produção em homenagem ao
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